Argentina discute projetos para regular jogos digitais

Júlia Moura há 1 mês
Argentina discute projetos para regular jogos digitais

A Argentina está imersa em um debate nacional sobre a regulamentação dos jogos digitais, um tema que mobiliza diferentes setores do país devido às suas implicações sociais e de saúde pública. A Câmara dos Deputados criou uma comissão especial, liderada pela deputada nacional Mónica Frade (Coligação Cívica), para examinar diversas propostas legislativas voltadas ao controle e restrição dos jogos online. 

Na sessão inaugural da comissão, os membros assistiram a um vídeo do Monsenhor Oscar Ojea, presidente da Conferência Episcopal Argentina, que abordou os desafios e preocupações associados aos jogos online. Ojea ressaltou os impactos negativos que esses jogos podem ter, especialmente entre os jovens, e enfatizou a necessidade de ações regulatórias. 

A deputada Constanza Alonso (UxP), autora de uma das propostas em debate, foi a primeira a discursar. Ela sublinhou a importância do tema para instituições educacionais e esportivas e destacou a ausência de estatísticas oficiais sobre o impacto dos jogos cibernéticos em crianças e adolescentes na Argentina. Alonso defendeu a proibição total da publicidade de jogos em todos os meios de comunicação, tanto audiovisuais quanto plataformas digitais, afirmando que o Estado deve ter um papel ativo na regulamentação dessa questão. 

A deputada Marcela Antola (UCR) destacou a importância de um diagnóstico preciso nas escolas para entender a extensão do problema. Em sua proposta, Antola sugere a proibição de anúncios de jogos que utilizem personalidades de destaque, atletas ou personagens fictícios, exceto quando a mensagem seja de conscientização sobre os riscos do vício em jogos. Ela também propôs a proibição de tais anúncios durante eventos esportivos transmitidos pela TV, rádio ou plataformas de streaming. 

Gabriela Brouwer de Koning, também do bloco radical, reforçou a necessidade de o Estado proteger os mais vulneráveis, como crianças e adolescentes. Ela defendeu um enfoque na saúde pública, propondo a criação de um plano abrangente de prevenção e tratamento para dependências relacionadas aos jogos. 

A deputada Marcela Campagnoli (Coalizão Cívica) enfatizou a importância de conscientizar as famílias e fornecer ferramentas aos professores para antecipar problemas. Seu projeto visa a criação de um programa de sensibilização em colaboração com os Ministérios da Educação e da Saúde, abordando o problema de forma eficiente. 

Silvana Giudice (PRO) alertou sobre o alto acesso à internet entre os jovens argentinos, o que potencializa os comportamentos problemáticos relacionados aos jogos online. Ela enfatizou a necessidade de gerar uma consciência social sobre os riscos associados à promoção e publicidade de sites de apostas para essa faixa etária. 

Além dessas parlamentares, outros deputados como Maximiliano Ferraro (Coligação Cívica), Mónica Macha (UxP), Martín Maquieyra (PRO), Micaela Morán (UxP), e Eduardo Toniolli (UxP) também apresentaram suas perspectivas. A próxima reunião da comissão contará com a participação de especialistas e representantes de diversos blocos parlamentares para aprofundar a discussão. 

A iniciativa argentina reflete uma crescente preocupação global com os efeitos dos jogos digitais, especialmente entre os jovens, e a necessidade de uma regulamentação eficaz para mitigar os riscos associados a essa atividade. 

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