Proibir anúncios de jogos de azar “é um beco sem saída”

Shirley Pulis Xerxen há 1 mês
Proibir anúncios de jogos de azar “é um beco sem saída”

Em um recente encontro de especialistas da indústria, o painel de encerramento “Perspectivas de Especialistas de Mercado” discutiu as proibições de publicidade transfronteiriça na indústria do jogo. O painel contou com a presença de Robert Zammit, Sócio da WH Partners; Quirino Mancini, Presidente da International Masters of Gaming Law (IMGL); Joerg Hofmann, Sócio Sênior da Melchers Law; e Cosmina Simion, Sócia-Gerente da Simion & Partners.

Robert Zammit abordou a “dor de cabeça” que as equipes de marketing enfrentam ao lidar com os diversos requisitos legais de diferentes jurisdições. Quirino Mancini, presidente da IMGL, criticou a “draconiana” proibição de publicidade de operadores de jogos de azar do país como “pura bobagem legal”. Ele criticou a implementação apressada da proibição pelo Movimento Cinque Stelle (Cinco Estrelas), que foi aplicada pelo AGCOM, um órgão regulador de telecomunicações sem experiência prévia em regulamentação de jogos de azar. “Foi algo que surgiu do nada”, disse Mancini, enfatizando a falta de pesquisa e consulta às partes interessadas.

Inconsistências nas restrições de publicidade

Joerg Hofmann, sócio sênior da Melchers Law, apontou as discrepâncias entre jogos on-line e presenciais à luz dessas restrições de publicidade e também destacou a hipocrisia na aplicação dessas regulamentações, onde os operadores regularmente encontram brechas para promover indiretamente suas marcas. Cosmina Simion, sócia-gerente da Simion & Partners, compartilhou insights da Romênia, onde eleições políticas e opinião pública levaram a aumentos de impostos e restrições à indústria de jogos de azar. “É contraproducente atacar uma indústria que você está taxando mais ao impor mais proibições quando você quer seus impostos no final do dia”, argumentou Simion, destacando o impacto mais amplo em várias indústrias, não apenas no jogo.

A indústria é a culpada?

Os painelistas concordaram que a própria indústria tinha alguma responsabilidade pelo estado atual das coisas. “A indústria foi aquela que simplesmente ficou ocupada ganhando dinheiro… e de repente percebemos que isso foi um pouco demais”, admitiu Mancini. Ele pediu um aumento do diálogo entre a indústria e os reguladores para superar a desconfiança mútua e encontrar soluções regulatórias equilibradas.

Uma situação de “perde-perde”

Conforme a discussão chegava ao fim, os painelistas destacaram a necessidade de regulamentações baseadas em evidências e a importância da mensagem comunitária na publicidade. “Você pode falar sobre o mercado regulamentado, o mercado conforme, o mercado responsável, ao invés de não fazer nada”, instou Simion, em esforços para evitar proibições de publicidade em massa que são, em última análise, uma situação de “perde-perde”.

O painel destacou a natureza complexa e muitas vezes contraditória das regulamentações de publicidade transfronteiriça de jogos de azar. Ele pediu uma abordagem mais harmonizada que equilibre os interesses dos operadores, reguladores e do público, ao mesmo tempo em que promove práticas de jogo responsáveis. À medida que a indústria continua a navegar neste cenário desafiador, os insights deste painel servem como um farol para futuras discussões regulatórias.

O evento foi organizado pela WHPartners e Payhound, com a SBC como parceira estratégica e patrocinado pela Sumsub.

Próximo evento da SiGMA: Conferência da SiGMA Ásia, acontecendo em Manila de 2 a 5 de junho.

Share it :

Recommended for you
Júlia Moura
há 18 horas
Garance Limouzy
há 20 horas
Lea Hogg
há 21 horas
Christine Denosta
há 21 horas