Visão da SiGMA: abrindo caminho para o ESG no setor de jogos

Content Team há 1 ano
Visão da SiGMA: abrindo caminho para o ESG no setor de jogos

Todo mundo quer ser ecologicamente correto – toda empresa gosta da ideia de uma estratégia baseada em um compromisso com práticas ESG. As organizações estão se sentindo pressionadas porque o ESG é um alvo em movimento. Alguns são proativos e querem estar entre os primeiros a se tornarem compatíveis com essa nova metodologia, enquanto outros estão ficando para trás, ainda que, eventualmente, não tenham escolha a não ser adotar tais práticas.

Tornar-se compatível com ESG é uma prioridade para o regulador de jogos de Malta. A Malta Gaming Authority (Autoridade de Jogos de Malta) (MGA) lançou uma plataforma voluntária de relatórios ESG para empresas iGaming registradas na jurisdição para relatar seus resultados ESG e monitorar seu progresso. A Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) exige que as empresas relatem o desempenho ESG a partir de 2024.

A degradação ambiental impede o crescimento econômico

O presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Malta, David Xuereb, participou da Conferência de Energia Renovável e ESG da PKF em Malta, esta semana, e afirmou que um grande número de organizações começou a implementar a estratégia ESG, iniciando o processo de transição voluntariamente e sem nenhum financiamento. Isso significa que os CEOs e o conselho de administração dessas empresas têm uma perspectiva madura e realizaram avaliações de risco relevantes. Ao medir a pegada de carbono da empresa, eles podem comparar o benchmark da instituição com o de seus concorrentes. Com uma previsão boa e precisa, é possível implementar o plano certo para iniciar o processo de transição de onde a empresa está e onde almeja chegar em uma determinada data.

Xuereb dirigiu-se à conferência falando sobre a transição para uma economia mais verde e sustentável. Segudno ele, o compromisso com nossas comunidades criará uma mudança cultural e todas as empresas precisarão ter uma estratégia ESG em vigor. As empresas listadas são obrigadas a formalizar seu procedimento de relatório de toda a sua cadeia de suprimentos. Xuereb destacou, ainda, que o crescimento econômico sempre exigirá o uso dos recursos naturais, mas a natureza tem a capacidade de se regenerar. Mesmo as energias renováveis requerem mineração, então a transição não é tão simples, acrescenta.

“O maior risco do ESG é a questão do greenwashing. Aprendi que, a menos que algo seja medido, por exemplo, ações com KPIs, etc., é greenwashing. Sabemos que queremos alcançar uma economia neutra em carbono até 2050. Não gostaria de ver um país que não fizesse o mesmo.” David Xuereb, Presidente – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Malta (MCESD) 

Xuereb explicou que a transição depende muito da colaboração entre os setores público e privado. Os governos desempenham um papel crítico no estabelecimento de condições regulatórias e fiscais que apoiarão a implementação das mudanças necessárias para se tornar neutro em carbono. A magnitude dessa mudança está sendo comparada à revolução industrial, sendo que a transição requer um grande investimento. Aqueles que desejam levar adiante essa agenda precisarão avançar em todas as direções para criar oportunidades que levem ao crescimento econômico.

Implementando o “E” de ESG (Environment – Meio Ambiente)

“Descobrimos que, além das questões regulatórias, existem muitas boas razões pelas quais o ESG é uma necessidade”, disse o presidente do MCESD, acrescentando que o motivo mais convincente pelo qual o “E” em ESG é importante é que já existe muito conhecimento e conscientização sobre o tema. Ele está convencido de que a geração mais jovem está mais comprometida com um futuro sustentável e bem informada sobre o tema. E, em parte, por essa razão, a educação, a requalificação e o treinamento são vitais para o sucesso dessa megamudança: “nos demos conta de que os caminhos do passado se foram e que os caminhos para um futuro mais limpo chegaram para ficar”. Ele acredita firmemente que os formuladores de políticas devem criar novas maneiras de educar o público sobre o assunto.

“Não sou especialista nesta área e prefiro focar naquilo que tem de ser a nossa missão. Por que o “E” em ESG é uma prioridade? O público em geral dá muito mais importância do que antes e isso torna mais fácil entender o que é ESG. Eu gostaria de trabalhar com o maior número possível de pessoas para fazer a transição. Esta é a minha principal vocação. Estou comprometido com isso” David Xuereb, Presidente – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Malta (MCESD) 

Simplificando, Xuereb resume a importância de as partes interessadas manterem o mais alto nível de integridade com a abordagem ética da governança corporativa. As empresas estão sendo solicitadas a serem responsáveis e a aplicar essa abordagem a todas as facetas de suas operações, até suas interações com as partes interessadas.

IA e novas tecnologias emergentes

A forma como a estrutura de relatórios não financeiros da UE pode ajudar a atingir as metas de sustentabilidade de Malta foi um dos tópicos explorados por um painel na conferência moderada pelo advogado de serviços financeiros, Dr. Robert Spiteri. Xuereb, um dos seis palestrantes que também contou com a participação do Dr. Marthese Portelli, CEO da Malta Chamber of Commerce, concentrou-se em tecnologias emergentes e afirmou que a IA desempenhará um papel importante para apoiar e medir o ESG. A transformação digital para ESG será liderada por ferramentas “inteligentes” usando a tecnologia mais recente para registrar e otimizar o uso de energia, reduzir as emissões de carbono e aumentar a eficiência da água. “A tecnologia por si só não resolverá nossos problemas de mudança climática nem comprometerá os retornos”, argumentou Xuereb, “na verdade, a tecnologia transformará a economia e transformará o país”.

ESG
Panel explores the EU’s non-financial reporting framework during PKF’s ESG conference

Malta ESG Alliance

A Malta ESG Alliance (MESGA) foi criada em 2022 como uma plataforma para apoiar as empresas a atingir uma meta ESG global. Liderando pelo exemplo, os 13 membros fundadores da colaboração vêm de vários setores da indústria. A aliança atua como um elo de ligação ao trabalhar com formuladores de políticas para atrair “pequenas, médias e grandes empresas para unir forças e contribuir para uma comunidade empresarial resiliente e responsável”.

Estudo de caso: Boyd Gaming

A história. A operadora de cassino Boyd Gaming atualmente opera 28 propriedades de jogos e entretenimento em 10 estados nos EUA. Ela administra um cassino tribal no norte da Califórnia e possui e opera a Boyd Interactive, uma empresa de jogos de cassino on-line B2B e B2C. A empresa também é parceira estratégica da gigante de apostas esportivas FanDuel, com uma participação acionária de 5%.

O desafio. A empresa assumiu um compromisso contínuo de proteger o meio ambiente e tratar as partes interessadas com “respeito e integridade” e, ao mesmo tempo, tratar consistentemente dos melhores interesses à comunidade. Sua agenda ESG comprometeu-se a reduzir o consumo de energia, uso de água e combater as mudanças climáticas, reduzindo sua pegada de carbono e minimizando o volume de resíduos enviados para aterros. Como empresa de jogos, Boyd também promete implementar e promover jogos responsáveis em todas as suas operações. A empresa também investiu pesadamente em recursos humanos para garantir que empregaria mais asiático-americanos, ilhéus do Pacífico, hispânicos e latino-americanos para uma força de trabalho mais diversificada.

Boyd defende a diversidade. A empresa aumenta consistentemente a conscientização sobre diversidade e inclusão de grupos minoritários que compõem 63% da força de trabalho da instituição, com 55% dos funcionários sendo mulheres. A Boyd Gaming também formalizou e implementou uma Política Global de Direitos Humanos. Em termos de comunidades, a Boyd Gaming orgulha-se de que sua força de trabalho reflete a diversidade em sua composição, com pelo menos 17% de seus funcionários sendo asiático-americanos e ilhéus do Pacífico, enquanto os afro-americanos representam 16% da força de trabalho da marca. 14% dos funcionários permanentes são hispânicos ou latino-americanos.

A abordagem ESG. Cuidar da estrutura da organização Boyd é a filosofia ESG da empresa. A Boyd Gaming anunciou os resultados positivos de sua estratégia ESG ao publicar um Relatório Ambiental, Social e de Governança Corporativa com o progresso de suas principais iniciativas. Os resultados relataram uma queda no consumo de energia de 31% quando comparado ao seu uso em 2017.

O presidente e CEO Keith Smith prometeu seu compromisso de operar com a mais alta integridade e condição ética.

“Conforme descrito no relatório deste ano, toda a equipe da Boyd fez um excelente progresso no avanço de nossas iniciativas ESG estratégicas em 2022, enquanto continuamos a impactar positivamente nossos stakeholders e as comunidades que chamamos de lar”. Keith Smith, Presidente e CEO – Boyd Gaming 

O resultado. As emissões de gases de efeito estufa da empresa foram 35% menores e o consumo de água foi reduzido em mais de 30%. Os resíduos foram reduzidos por iniciativas de reciclagem para “reutilizar em vez de descartar” e, em 2022, a taxa total de desvio foi registrada em quase 54% – um desvio que incluiu mais de 2 milhões de quilos de materiais de resíduos de aterros ano após ano.

Conformidade ESG na jurisdição iGaming de Malta

A Malta Gaming Authority (MGA) anunciou que, a partir de 2024, todas as empresas grandes e listadas serão obrigadas a seguir um código de prática sob a diretiva de relatórios de sustentabilidade corporativa. Em uma iniciativa para melhorar a reputação de Malta como uma jurisdição de jogo líder e para “permanecer na vanguarda da inovação”, um código ESG voluntário de boas práticas será desenvolvido para o setor de iGaming.

Isso ajudará os licenciados na jurisdição maltesa a cumprir a legislação ESG e a se beneficiar de uma abordagem sustentável aos negócios. A MGA acrescentou que a diretiva para o setor de iGaming se aplicará a todas as partes interessadas para levar em consideração seu impacto ESG na comunidade.

A MGA lançou uma pesquisa com consulta de licenciados e principais interessados, a fim de aumentar a conscientização e promover a transparência e a responsabilidade no setor.

 

David Xuereb é presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Malta (MVESD). Ele estava falando na Conferência PKF sobre a Exploração dos Links entre ESG e Energia Renovável em 12 de abril, realizada em Malta. Arquiteto de profissão, Xuereb é ex-presidente da Câmara de Comércio de Malta.

A PKF é uma organização internacional com mais de 400 escritórios em todo o mundo, operando em 150 países em cinco regiões, especializada em serviços de auditoria, garantia, impostos e consultoria.

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Malta (MCESD) é um conselho consultivo que emite pareceres e recomendações ao governo maltês sobre questões de relevância econômica e social.

 

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ATENÇÃO:  SiGMA Américas – Festival Mundial de iGaming acontecerá em São Paulo de 14 a 18 de junho.

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